O burel de Manteigas
Uma fábrica de lã na Serra da Estrela reaberta em 2010, a tecer o burel denso que os pastores vestiam contra a montanha.
O burel é pano de lã tecido e depois pisoado - lavado e batido até as fibras se enfeltrarem e o tecido encolher denso - do que sai uma coisa grossa, resistente à água e quente, que é o que os pastores e os trabalhadores da Serra da Estrela vestiram durante séculos. Manteigas teve uma indústria de lanifícios assente na ovelha churra local, e ela ruiu no fim do século XX, com quase todos os têxteis portugueses; a fábrica fechou nos anos dois mil. Em 2010 um casal comprou os edifícios e as máquinas antigas, chamou de volta antigos trabalhadores que sabiam pôr a andar os teares e os pisões, e recomeçou a produção - hoje faz burel para moda, decoração, painéis acústicos e cabines de avião, a par das mantas e dos casacos tradicionais. Emprega gente da terra num vale que se despovoa, e isso conta tanto como o pano. Há loja em Manteigas e outras em Lisboa e no Porto.
O que vês de verdade
- O pano - lã tecida e depois pisoada até ficar densa o bastante para aguentar o tempo da serra.
- A fábrica recuperada - máquinas antigas postas a andar em 2010 com antigos trabalhadores.
- A lã churra - velo da raça de ovelha local da Serra da Estrela.
- Os usos novos - burel em decoração, painéis acústicos e cabines de avião.
Quando ir
De abril a outubro, pelas estradas de montanha. Uma a duas horas. As visitas à fábrica têm de ser combinadas com antecedência; a loja cumpre horário normal.
Expectativas honestas
O chão de fábrica não está aberto a quem passa - marca, se quiseres ver as máquinas. Os produtos são caros, e refletem a mão de obra. Manteigas é pequena e tem poucos serviços. A neve de inverno fecha os acessos mais altos.
Aqui perto
O vale glaciar do Zêzere corre acima da vila. O Poço do Inferno fica numa garganta lateral.
Horários, preços dos bilhetes e encerramentos sazonais mudam - confirma na fonte oficial antes de ires: site oficial.