A judiaria de Belmonte
Uma vila de monte onde uma comunidade criptojudaica manteve a sua prática em segredo durante quatro séculos e foi encontrada em 1917.
Portugal obrigou os seus judeus a converter-se em 1497, e a Inquisição perseguiu durante os dois séculos e meio seguintes os que suspeitava de continuarem a praticar. Em Belmonte uma comunidade aguentou-se em segredo - casando dentro de si própria, cumprindo o que podia do calendário e dos jejuns, rezando em português com orações transmitidas oralmente pelas mulheres, e por fora vivendo como católicos - e assim foi até ser documentada em 1917 por Samuel Schwarz, um engenheiro de minas polaco que reconheceu uma palavra hebraica numa oração que recitavam. A comunidade voltou à prática aberta ao longo do século XX, construiu a sinagoga Bet Eliahu em 1996 e é hoje formalmente reconhecida. Um museu judaico na vila expõe a história do criptojudaísmo com clareza. Belmonte tem ainda um castelo, uma igreja românica e a casa onde nasceu Pedro Álvares Cabral, cuja família detinha a vila.
O que vês de verdade
- A história criptojudaica - quatro séculos de prática secreta, documentados em 1917.
- O museu - um relato claro da conversão forçada e do que se lhe seguiu.
- A sinagoga - a Bet Eliahu, construída em 1996 quando a comunidade voltou à prática aberta.
- A vila - um castelo, uma igreja românica e a casa da família Cabral.
Quando ir
De abril a outubro. Meio dia. O museu fecha à segunda-feira; a sinagoga é um lugar de culto em funcionamento, com visita limitada.
Expectativas honestas
A sinagoga não é um sítio turístico e o acesso é limitado - isto é uma comunidade viva. O museu é pequeno. Belmonte é uma vila sossegada, com serviços modestos. Os invernos aqui são frios.
Aqui perto
A Covilhã e a Serra da Estrela ficam a sul. Sortelha fica a leste.
Horários, preços dos bilhetes e encerramentos sazonais mudam - confirma na fonte oficial antes de ires: site oficial.